O coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Sérgio Gabrielli, publicou na manhã de segunda‑feira (02/11/2026) um artigo defendendo a proposta do economista André Lara Resende de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. A manifestação surge em meio à reação negativa do mercado financeiro à ideia e um dia depois do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter descartado publicamente a iniciativa.

No texto, Gabrielli argumenta que o governo federal deve buscar a queda dos juros por meio de ajuste progressivo de gastos e receitas, sem impor austeridade ao eleitorado, e destaca que não há correlação direta entre superávit primário e a trajetória da taxa de juros nas últimas décadas. Ele também ressalta que a proposta de Lara Resende prevê metas conjuntas de política fiscal e monetária para um horizonte de quatro a cinco anos, com redução gradual da taxa Selic até 7,5% ao ano e posterior estabilização entre 3% e 5,5% ao ano.

Gabrielli aponta ainda que a dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu 82,9% do PIB em setembro, mas que a dívida líquida está em 69,3% do PIB, com 90% dos débitos denominados em moeda nacional e reservas cambiais disponíveis. Sobre a inflação, ele atribui a pressão de preços a fatores externos, como a alta do dólar, e não a excesso de demanda interna.

A proposta de Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, inclui ainda a revisão de benefícios tributários ineficientes e a recuperação de créditos de grandes contribuintes, sem comprometer salário mínimo real, BPC, Bolsa Família ou os pisos constitucionais da saúde e da educação. Fonte: Poder360.