José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu nesta segunda‑feira (02/11) que o governo federal adote um "ajuste progressivo" nos gastos e nas receitas, sem recorrer a medidas de austeridade que penalizem o eleitor. Em artigo enviado à imprensa, Gabrielli argumenta que aumentar o superavit primário não é o caminho mais eficaz para reduzir a taxa de juros, apontando que nas últimas décadas não há correlação forte entre resultado primário e a curva de juros da economia brasileira.

O texto, intitulado "Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027", apresenta ainda a proposta de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, inspirado em ideia do economista André Lara Resende, para definir metas conjuntas de política fiscal e monetária por quatro a cinco anos. Lara Resende sugeriria a redução da taxa Selic para cerca de 7,5% ao ano nos primeiros doze meses, mantendo‑a depois numa faixa de 3% a 5,5% ao ano, o que demandaria mudanças na forma como o Banco Central estabelece a taxa.

Gabrielli ressaltou que, após a reeleição de Lula, "aparentemente não há mais a onipresença do pensamento único" sobre política fiscal. Ele também contestou a narrativa de crise fiscal, classificando‑a como "fake news" e apontando que a dívida líquida do setor público, ao considerar ativos financeiros, corresponde a 69,3% do PIB, enquanto 90% da dívida está em moeda nacional e o país possui reservas cambiais robustas.

O coordenador alertou que a alta taxa de juros continua sendo a principal responsável pelo crescimento da dívida pública, e defendeu atenção especial à proposta de Lara Resende. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu no domingo (01/11) que o governo não discute a adoção de um tabelamento da taxa de juros, indicando divergência entre a proposta de ajuste e a posição oficial do Executivo.