Mesmo com a apuração encerrada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não julgou o recurso que pode invalidar a eleição de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. O processo estava previsto para julgamento em 8 de outubro, quatro dias após o primeiro turno, mas foi retirado de pauta e não voltou à análise do plenário. Com a candidatura sub judice, o ex‑procurador da Lava Jato conquistou a segunda vaga do Paraná com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14 % dos válidos, e aguarda decisão definitiva sobre sua elegibilidade. Se o impasse persistir até o fim do ano, o senador eleito poderá, pela segunda vez, ser diplomado sem garantias de permanência no cargo.
O caso de Dallagnol estava na pauta da mesma sessão em que o TSE examinou a situação eleitoral de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao governo do Rio de Janeiro. O adiamento atendeu a pedido da defesa do ex‑procurador. Desde então, o tribunal prosseguiu com a análise de processos eleitorais, sem remarcar o recurso. O processo, relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, contesta a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE‑PR) que autorizou a candidatura em setembro. Os autores pedem o indeferimento do registro e a anulação dos votos recebidos pela chapa.
A corte deverá decidir sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa ao ex‑procurador, que perdeu seu mandato de deputado em 2023 por determinação do próprio TSE. Na véspera da eleição, Floriano determinou que a candidatura continuasse suspensa. No dia do pleito, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, derrubou a decisão. O magistrado entendeu que a questão deveria ser discutida em plenário, e não por decisão individual. Com isso, os votos recebidos pelo ex‑procurador foram provisoriamente mantidos, e ele poderá ser diplomado e tomar posse, salvo julgamento contrário do tribunal.
