O bloco conhecido como Centrão está reavaliando sua aliança com o Partido Liberal (PL) à medida que se aproxima a disputa pela reeleição de Hugo Motta (Republicanos‑PB) à presidência da Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP) ao comando do Senado. A iniciativa surge em meio a articulações para a legislatura de 2027, com o objetivo de preservar espaço nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e conter a influência dos bolsonaristas no Congresso.
Na Câmara, o Partido dos Trabalhadores (PT), em federação com PCdoB e PV, declarou apoio à reeleição de Motta, condicionando a aliança à exclusão do PL e do Novo do bloco de apoio. O PT comunicou que, caso esses partidos ingressem, a federação deixará o Centrão, exigindo consulta prévia a Motta antes de qualquer decisão.
No Senado, o PL marcou reunião para 4 de novembro de 2026 para decidir se lança Rogério Marinho como candidato contra Davi Alcolumbre, que já conta com apoio de diversas legendas políticas. A movimentação evidencia a divergência entre alianças eleitorais – União Brasil, PP e Republicanos apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno – e acordos parlamentares, que agora se reconfiguram para a próxima legislatura.
Essas negociações indicam que, embora o Centrão tenha apoiado o PL na disputa presidencial, seus dirigentes buscam agora preservar espaços estratégicos nas comissões da Câmara, como a Comissão de Constituição e Justiça, Relações Exteriores e Segurança Pública, evitando que o PL amplie sua influência no Legislativo.
