Líderes do bloco conhecido como Centrão estão articulando a aprovação de uma mudança no sistema eleitoral brasileiro ainda neste mês de novembro. A proposta, defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e apoiada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), prevê a adoção do voto distrital misto, que substituiria o modelo proporcional vigente.

Segundo dirigentes partidários ouvidos pela CNN Brasil, representantes de diversas siglas participam das conversas para viabilizar a mudança antes do início da nova legislatura, prevista para fevereiro de 2027. O texto ainda não foi formalizado, mas há consenso de que a transição seria iniciada em 2030, com implementação integral prevista para 2034.

A proposta enfrenta resistência de parlamentares do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT), que temem que o novo modelo reduza o peso dos puxadores de votos e aumente o controle das legendas sobre a escolha dos candidatos. Os articuladores do Centrão minimizam o impacto dos votos contrários, mas reconhecem a importância de concluir a reforma antes da nova legislatura.

A mudança no sistema eleitoral alteraria a dinâmica de votação: o eleitor teria dois votos – um para candidato do distrito e outro para lista partidária – e a lista seria fechada, com a ordem dos candidatos definida pelos partidos. Essa alteração poderia ampliar a influência das direções partidárias na composição das bancadas, reduzindo a capacidade de candidatos individuais de eleger colegas com menos votos.

A discussão segue em curso no Congresso, com detalhes sobre o formato e as regras da transição ainda em debate. Até o momento, não há declaração oficial de apoio ou oposição de outros blocos além do PL e do PT.