A Câmara dos Deputados está analisando uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que substituiria o atual sistema proporcional de lista aberta por um modelo de voto distrital misto. O texto, articulado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê que metade das cadeiras seria preenchida por candidatos eleitos diretamente em distritos e a outra metade por listas partidárias proporcionais, com implementação definitiva prevista para 2034 e transição preliminar pelo chamado "distritão" em 2030.
De acordo com a proposta, o novo sistema teria o objetivo de reduzir a influência dos chamados puxadores de voto – políticos que, ao obter votação expressiva, arrastam colegas de legenda para o congresso. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi citado como exemplo desse fenômeno, pois suas votações elevadas ajudam a eleger outros candidatos do mesmo partido.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE) deve relatar a matéria em plenário, enquanto Aécio Neves e Gilberto Kassab são apontados como os principais defensores da mudança. A iniciativa ainda enfrenta resistência de setores do PT e do PL, que temem que o modelo favoreça políticos populares em detrimento de partidos menores.
Se aprovada, a PEC traria duas etapas de transição: em 2030, o "distritão" elegeria apenas os candidatos mais votados, sem repasse de votos; em 2034, o voto distrital misto entraria em vigor, permitindo ao eleitor dois votos – um para o candidato e outro para o partido. O debate sobre a proposta deve avançar ainda em 2026.
