A Câmara dos Deputados está negociando a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui o chamado sistema distrital misto para a escolha dos parlamentares. A iniciativa, apresentada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos‑PB), tem como objetivo conter a perda de espaço dos partidos de centro após o crescimento do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026. A proposta prevê que a nova regra entre em vigor integralmente nas eleições de 2034, com transição nas próximas eleições nacionais.
O relator da PEC ainda será definido, mas indica‑se o deputado Domingos Neto (PSD‑CE), que já atua como relator de projeto de lei sobre o sistema distrital. O modelo misto prevê que metade das vagas de cada distrito seja preenchida pelos candidatos mais votados e a outra metade distribuída conforme listas partidárias, mantendo parte do poder dos partidos no processo eleitoral.
A proposta conta com apoio de lideranças do centro, como Gilberto Kassab (PSD) e Ciro Nogueira (Progressistas), e busca o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), para agilizar a votação. Contudo, há resistência de setores do PT e do próprio PL, que tem receio de que a mudança seja usada como argumento de cerceamento contra o bolsonarismo. Parlamentares como a deputada Adriana Ventura (Novo‑SP) alertam para riscos de vulnerabilidade ao crime organizado em um sistema distrital.
Até o momento, a votação da PEC ainda está em fase de negociação entre partidos do centro, que pretendem concluir a aprovação ainda em 2026, embora reconheçam que o processo está apenas no início. A discussão segue aberta na Câmara, aguardando consenso interno e eventual apoio do Senado.
