A cerca de 725 mil brasileiros nascidos no Brasil vivem nos Estados Unidos e um terço já possui cidadania americana, formando um eleitorado que pode ter peso nas eleições legislativas de 3 de novembro, quando os americanos decidirão quem controlará o Congresso nos dois últimos anos do mandato de Joe Biden. O autor do texto, Fausto Macedo, destaca que, embora o Brasil não decida a eleição americana, a presença de eleitores de origem latina pode ser decisiva em distritos competitivos, especialmente quando as margens de vitória são estreitas.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,79% dos votos, e a vitória de candidatos republicanos nos EUA são analisadas como fatores que podem beneficiar Donald Trump, aliado declarado da família Bolsonaro. Dados de uma pesquisa do Instituto Ideia de 2024 mostraram que, entre os brasileiros com direito a voto, Kamala Harris tinha 60% de apoio e Trump 35%, um aumento significativo em relação a 2016, quando o apoio ao ex‑presidente era de apenas 10%.
Macedo aponta duas vias pelas quais o resultado brasileiro pode impactar a disputa americana. Primeiro, o aumento do apoio a Trump entre a diáspora brasileira pode reforçar a base republicana nos EUA. Segundo, questões econômicas e geopolíticas, como a reação dos mercados financeiros à vitória de Lula – com o Ibovespa caindo 13,9% e o dólar subindo 8,2% frente ao real no primeiro pregão – podem influenciar a percepção dos eleitores americanos sobre a estabilidade econômica da maior economia da América Latina.
O texto também ressalta que, embora o voto seja americano, a preocupação dos eleitores brasileiros nos EUA pode refletir temores sobre a influência do Brasil na região e sobre políticas migratórias dos dois países. A análise conclui que, apesar de não ser um tema central nas urnas, a presença de eleitores brasileiros pode ser um “ingrediente” relevante nas disputas políticas dos midterms.
