Na manhã desta terça‑feira (03/11/2026), a presidência brasileira da COP30 divulgou um documento de 182 páginas que traça um caminho para reduzir a dependência global de combustíveis fósseis. O material, que não estabelece metas nem prazos, propõe que cada país avalie sua exposição ao petróleo, gás e carvão e adote medidas de descarbonização, com recomendações organizadas em três pilares – demanda, oferta e dependência econômica – e um índice de prontidão que mensura a capacidade de enfrentamento do problema.

O lançamento ocorreu em entrevista coletiva na Casa ONU, em Brasília, com a participação de André Corrêa do Lago, presidente da COP30, da CEO da conferência Ana Toni, do ministro do Meio Ambiente João Paulo Capobianco e da ex‑ministra Marina Silva (Rede). Segundo Corrêa do Lago, trata‑se de um instrumento inédito, pois um presidente de COP propõe, por iniciativa própria, um debate que não entrou na negociação oficial entre os países.

Entre os pontos destacados, o documento sugere a elaboração de planos nacionais até 2028, a reforma de subsídios e a redução de emissões de metano; de 2029 a 2030, a ênfase será na eletrificação, eficiência energética e expansão de redes; e de 2031 a 2033, o foco será ajustar a oferta de combustíveis fósseis. O texto também inclui um segundo documento sobre metas de combate ao desmatamento, estimando que o mundo investiu US$ 84,5 bilhões em florestas em 2023, mas que a necessidade de financiamento ultrapassa US$ 300 bilhões por ano até 2030.

O Ministério de Minas e Energia não participou do evento, e o mapa não cria compromissos vinculantes entre os países, sendo apresentado como uma “contribuição da presidência” para orientar discussões nas próximas COPs, no G20 e no processo de Santa Marta.