A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reversão nas expectativas do mercado financeiro brasileiro, revertendo o otimismo que havia se instalado após o primeiro turno das eleições. Segundo a Gazeta do Povo, o resultado do segundo turno, ocorrido em 25/10, levou os investidores a abandonarem a aposta em uma mudança de rumo na política econômica, recolocando no centro das atenções os desafios de conciliar aumento de gastos, dívida pública elevada e juros altos.
Os impactos foram imediatos no primeiro pregão após a confirmação do resultado. Na segunda-feira (26/10), o Ibovespa chegou a cair mais de 17% intradiariamente, o que levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. Ao final do dia, o principal índice da bolsa fechou com recuo de 13,88%, aos 176.608 pontos. O dólar comercial, por sua vez, disparou 8,21%, atingindo a cotação de R$ 5,403, a maior alta diária registrada desde janeiro de 1999, com picos de até R$ 5,60 na negociação da manhã.
O cenário de choque contrasta com o movimento das semanas anteriores, quando a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno fez o mercado apostar em uma política fiscal mais restritiva. Naquele período, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil havia recuado para cerca de 110 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2020, e a bolsa havia renovado recordes, chegando a 209.066 pontos em 9 de outubro. Em outubro, o fluxo estrangeiro na B3 somou R$ 13,1 bilhões em uma única semana.
Analistas apontam que a manutenção do governo atual altera a projeção para a economia. Letícia Moschioni, da Finscale, e Edgar Araújo, da Azumi Investimentos, estimam que, sem sinalização consistente de ajuste fiscal, o crescimento do PIB brasileiro em 2027 pode cair da mediana de 1,31% para entre 1% e 1,2%, enquanto a taxa Selic pode se manter elevada, entre 12,25% e 12,75%. A principal preocupação recai sobre a dívida bruta do governo geral, que atingiu 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em agosto, com custos de juros que somaram R$ 1,182 trilhão nos últimos 12 meses.
