O Banco Central (BC) informou nesta terça‑feira (27/10/2026) que publicará, ainda em 2026, normas destinadas a restringir a oferta de crédito sem garantia, visando conter o superendividamento dos consumidores. O anúncio foi feito durante a coletiva de imprensa do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre de 2026, que apontou que apenas 7,6 % do valor médio contratado no Crédito do Trabalhador – novo consignado privado criado pela Lei 15.179/2025 – foi utilizado para reduzir saldos em linhas de crédito mais caras.

O relatório também revelou que 20,3 milhões de devedores estavam em situação de risco em junho de 2026, representando 17 % dos devedores do Sistema Financeiro Nacional, um aumento de 75 % em relação a junho de 2021. A inadimplência desses contratos cresce a partir do quinto mês após a concessão e supera a do crédito pessoal sem garantia. Além disso, 39 % do saldo não pago corresponde a trabalhadores que mudaram de emprego, e 19 % a tomadores que ainda não haviam sido desligados.

Entre as medidas em análise estão a alteração do requerimento de capital dos bancos (FPR) para carteiras de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia, a imposição de travas nos aplicativos para evitar contratações impulsivas e a exigência de comprovação de capacidade de pagamento das famílias. O presidente da entidade, Gabriel Galípolo, destacou que a autoridade monetária tem estudado experiências internacionais para conter modalidades de crédito que crescem de forma pouco sensível ao preço. O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, confirmou que as novas normas serão divulgadas ainda neste ano.

A iniciativa segue a edição, na semana anterior, de três normas que proíbem ofertas ativas de crédito em canais digitais a clientes em situação de rotativo de cartão ou com atraso relevante, reforçando a estratégia do BC de proteger consumidores de menor renda, sobretudo aqueles que recebem até dois salários mínimos.