A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado em 25 de outubro de 2026, transformou uma desvantagem de 2,2 milhões de votos no primeiro turno em uma vitória de 4,4 milhões. No primeiro turno, Flávio Nantes Bolsonaro (PL) obteve 56.104.503 votos (47,03 % dos válidos) e Lula 53.879.538 (45,16 %). No segundo turno, Lula recebeu 64.256.232 votos (51,79 %) e Bolsonaro 59.826.041 (48,21 %). O aumento de votos de Lula foi quase 2,8 vezes maior que o de Bolsonaro, resultando em uma margem final de 4.430.191 votos.
O comparecimento eleitoral também subiu, passando de 125.275.718 eleitores no primeiro turno para 128.236.074 no segundo, um acréscimo de 2.960.356 eleitores (cerca de 2,36 %). Os votos válidos cresceram de 119.300.788 para 124.082.273, enquanto a abstenção caiu de 21,08 % para aproximadamente 19,2 %. Votos em branco e nulos recuaram em conjunto 1.821.129 votos.
O artigo levanta hipóteses sobre a origem desses votos adicionais, apontando que a transferência de votos dos candidatos eliminados (Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e Augusto Cury, que somaram 9.056.092 votos) não seguiu um padrão simples de antipetismo. Uma pesquisa do Meio/Ideia, divulgada em 21 de outubro, mostrou que 58,1 % dos eleitores que votaram nesses candidatos no primeiro turno pretendiam apoiar Bolsonaro no segundo turno, contra 31,8 % que indicaram Lula, mas os resultados agregados não permitem quantificar a real migração de votos.
O autor conclui que o crescimento da votação de Lula pode refletir uma combinação de transferência de votos, maior comparecimento de eleitores ausentes no primeiro turno e redução de votos em branco e nulos, ainda sem um cálculo preciso da contribuição de cada fator.
