Um levantamento do Poder360, baseado em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, mostrou que 308 dos 513 deputados federais eleitos na legislatura de 2026 obtiveram ao menos 50% dos votos em apenas dez municípios. Esse padrão indica a existência de um “voto distrital informal”, em que a maioria dos eleitores de um deputado está concentrada em regiões geográficas delimitadas dentro dos estados. Entre esses parlamentares, 33 tiveram mais de 90% dos votos nos mesmos dez municípios, enquanto 102 ficaram entre 70% e 89,9%.

O estudo aponta que a prática já se repete em pleitos anteriores, reforçando que mais da metade dos representantes da Câmara já funciona sob esse modelo informal. O dado ganhou destaque porque partidos médios e pequenos lançaram, nesta semana, um movimento para propor emenda constitucional que institua oficialmente um sistema misto de voto distrital e proporcional. A proposta prevê que metade das 513 cadeiras da Câmara fosse eleita em distritos, enquanto a outra metade seria preenchida por listas partidárias proporcionais.

Segundo a análise, a mudança não traria ganho efetivo em relação ao sistema atual, pois a proximidade entre deputados e eleitores já está presente, como demonstram as estatísticas. O argumento dos partidos menores – de que o voto distrital aproximaria ainda mais o parlamentar ao eleitor – seria, portanto, redundante. Além disso, a proposta seria inédita no cenário internacional, já que nenhum país adota exclusivamente um modelo distrital misto como o sugerido.

A iniciativa dos partidos de médio e pequeno porte busca limitar a expansão das grandes bancadas do PL (121 deputados) e do PT (70 deputados), que foram as que mais se beneficiaram do sistema proporcional vigente. O debate sobre a reforma do voto ainda está em fase de discussão no Congresso, sem definição de prazo para votação da emenda.