Um levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global apontou 134 casos de violência política registrados até o primeiro turno das eleições, realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. Das ocorrências, 70 envolveram mulheres, representando 52,2% do total, e 60 dos 102 episódios dirigidos a candidatas (58,8%).

A pesquisadora Ana Elisa (PT-MG), deputada federal eleita, relatou ameaças de morte e de violência sexual que recebeu durante a campanha, ilustrando o clima de hostilidade que afeta especialmente as mulheres na disputa eleitoral. Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, destacou que a maioria dos casos (71) ocorreu nas ruas e que o ambiente digital tem sido terreno de agressões sistemáticas, agravado pela falta de regulação nas redes sociais.

Segundo Barbieri, a subnotificação é um problema recorrente, já que muitos episódios não chegam ao conhecimento público por medo das vítimas. Ela defende a criação de uma força‑tarefa do Estado para respostas mais rápidas e punições que tenham efeito pedagógico, ressaltando que a violência política de gênero desqualifica e intimida mulheres, ameaçando a própria democracia.

A pesquisa também revelou que a violência política foi cinco vezes mais frequente durante o período eleitoral em comparação com períodos sem disputa, e que a ameaça foi o tipo mais recorrente (64 casos), seguida por ofensas (33) e agressões físicas (19). Entre os 70 episódios contra mulheres, 45 foram classificados como machismo ou misoginia, nove como racismo e cinco como transfobia.