O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, na manhã de 9 de outubro de 2026, a suspensão de um site que vendia criptomoedas e prometia tokens a quem divulgasse conteúdo favorável ao voto em Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O projeto, chamado "Brasil 22 Token (B22)", havia sido lançado na terça‑feira anterior e era divulgado no Instagram pelo perfil @hyperskidsafrica, que reúne crianças de Uganda e possui 12,9 milhões de seguidores. A ministra do TSE, Estela Aranha, atendeu a pedido da coligação do presidente Lula (PT) e considerou que a iniciativa extrapola a mera manifestação política, configurando possível vantagem econômica vinculada à propaganda eleitoral.
Na decisão, a ministra também ordenou a remoção de conteúdos nas redes sociais, a preservação das postagens e dos dados dos envolvidos, além da quebra do sigilo dos cadastros das contas que distribuíram os tokens. A ação foi motivada por suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, apresentada pela equipe jurídica da coligação do PT na quinta‑feira (9).
Um post no Instagram das crianças de Uganda incentivava a compra do token $B22 e citava Flávio Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) e Pablo Marçal (PRTB), que apoia o candidato. O texto do post alegava ter recebido 120 milhões de tokens por meio da parceria e convidava seguidores a adquirir e compartilhar o token para ganhar mais unidades.
Especialistas consultados pelo G1 apontam indícios de violação da Lei Eleitoral, que proíbe a oferta de vantagem econômica em troca de propaganda eleitoral e a doação de recursos a campanhas por empresas, inclusive em criptomoedas. O G1 tentou contato com a campanha de Flávio Bolsonaro e com os responsáveis pelo site Brasil 22 e pelo perfil @hyperskidsafrica, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
