A análise do The Economist, publicada pelo Estadão em 22 de outubro de 2026, aponta que o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, está se configurando como o mais acirrado desde a redemocratização do Brasil. A disputa reúne o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, e o senador Flávio Nantes Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula ficou atrás com 45 % dos votos válidos contra 47 % de Flávio Bolsonaro, e nenhum candidato que perdeu a primeira votação jamais venceu o segundo turno.
Desde a derrota no primeiro turno, Lula adotou uma estratégia de comunicação mais agressiva, passando a publicar vídeos de selfies no Instagram e a propor medidas como a redução da idade de responsabilidade criminal para crimes graves, a diminuição da jornada de trabalho de 44 para 40 horas sem corte salarial e a gratuidade do transporte público nos fins de semana. O governo também anunciou ampliação do programa de transferência de renda, isenção do imposto de renda para a classe média‑baixa e proibição de empresas de jogos de azar, com custo estimado em US$ 58 bi (R$ 298,4 bi) até o fim de 2027, segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão vinculado ao Senado.
Pesquisas recentes apontam empate entre os candidatos, embora o texto ressalte que os institutos de pesquisa no Brasil têm histórico de subestimar a força da direita. Empresas de apostas quase dobraram as probabilidades de vitória de Lula na semana seguinte a 10 de outubro, mas ainda o mantêm atrás de Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, reverteu posição e passou a apoiar a redução da jornada de trabalho, medida que antes criticava. Em debate realizado em 18 de outubro, ele acusou o governo de aumento da criminalidade, apesar de dados apontarem queda.
O texto destaca ainda a importância estratégica de Minas Gerais, segundo analistas, como microcosmo do Brasil: o estado combina regiões de apoio ao presidente e áreas tradicionalmente conservadoras. Lula venceu Minas Gerais em 2022, mas perdeu por cinco pontos percentuais no primeiro turno de 2026, reforçando o desafio de reconquistar o eleitorado local para garantir a vitória no segundo turno.
