O Tesouro Nacional pretende ampliar gradualmente as emissões de títulos públicos aproveitando a queda dos juros futuros observada após o 1º turno das eleições presidenciais. Na quinta‑feira, 8 de outubro de 2026, o governo captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados, o maior leilão desse tipo desde dezembro de 2020, ao ofertar 42 milhões de papéis e vender 40,8 milhões.
Especialistas apontam que o otimismo dos investidores – alimentado pela possibilidade de vitória da oposição, representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderou a primeira rodada eleitoral – reduziu os prêmios de risco e abriu espaço para captações a custos menores. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, e Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, destacam que a demanda deve permanecer consistente nos próximos leilões, sobretudo para títulos de prazos curtos, caso a curva de juros continue em trajetória de queda.
A dinâmica de preços e rendimentos dos títulos prefixados indica que, com maior preço pago pelos investidores, a taxa de retorno até o vencimento diminui, permitindo ao Tesouro financiar a dívida pública a taxas mais baixas. Embora o cenário seja comparado ao recuo dos juros durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016, a atual reação ocorreu em apenas um pregão, evidenciando a rapidez da adaptação do mercado às expectativas eleitorais.
O movimento ainda depende de variáveis como a inflação, as contas públicas e a política monetária, que podem influenciar a evolução das taxas. Caso a curva de juros se mantenha em queda, o Tesouro poderá realizar novas captações robustas, aumentando a previsibilidade do custo de financiamento da dívida nacional.
Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-economia/expectativa-e-que-tesouro-siga-aproveitando-queda-dos-juros-nos-leiloes/).
