Em entrevista concedida à Power Drive, José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, afirmou que a queda da participação do Brasil no mercado mundial de minério de ferro – de 20,8 % para 17,9 % nos últimos 20 anos – exige uma corrida tecnológica urgente. Segundo o executivo, a perda de competitividade se deve, em parte, ao esgotamento das jazidas de alto teor no sul de Minas Gerais, o que obriga o setor a explorar minérios de teor mais baixo com maior eficiência.

A Cedro Mineração tem investido R$ 3,5 bilhões na expansão da capacidade produtiva de pellet feed na mina de Mariana (MG), adotando o modelo “mineração 4.0”. O conceito ICT (informação, comunicação e tecnologia) integra operações autônomas, drones, gestão de dados em tempo real, satélites, conectividade 5G e inteligência artificial em todas as etapas, desde o mapeamento das reservas até a logística ferroviária e marítima.

Além da automação, a empresa aposta em tecnologias de descarbonização, como caminhões 100 % elétricos, energia solar, empilhamento a seco de rejeitos e reaproveitamento de até 85 % da água utilizada nas minas. O projeto de Mariana também inclui a ampliação da planta de beneficiamento para processar minério com teor de ferro acima de 66 % e baixa sílica, com meta de alcançar 9 milhões de toneladas de produção até 2028 e 20 milhões até 2030.

Martins destacou que essas iniciativas visam reduzir custos, ampliar previsibilidade e atender à demanda da siderurgia por matéria‑prima mais limpa, contribuindo para a redução das emissões de CO₂ no processo de fabricação do aço.