O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em sessão da 2ª Câmara realizada na última terça‑feira (13/10/2026), que o julgamento das contas do Banco Central referentes ao exercício de 2025 ficará condicionado à conclusão do processo que analisa a atuação da autoridade monetária na liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida foi adotada porque o relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, e o Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) entenderam que os fatos apurados na liquidação podem influenciar o mérito das contas do BC.

A decisão segue a recomendação do MPTCU, que pediu a suspensão do julgamento das contas, e contraria o parecer da área técnica do TCU, a qual havia sugerido a regularidade das contas e a concessão de quitação plena. O relator das contas do Banco Central, ministro Jorge Oliveira, participou da votação que resultou na condição imposta.

O atrito entre o TCU e o Banco Central começou no fim de 2025, quando o ministro Jhonatan de Jesus solicitou esclarecimentos ao BC sobre indícios de que a liquidação do Banco Master teria sido precipitada e decretou sigilo sobre o processo. Em março de 2026, o mesmo ministro suspendeu a análise da atuação do BC até a conclusão de outras investigações relacionadas ao caso, argumentando a necessidade de um conjunto mais completo de informações para o julgamento.

Um parecer da equipe técnica do TCU, elaborado em fevereiro de 2026, havia concluído que não foram identificadas irregularidades, omissões ou negligência na atuação do Banco Central durante a liquidação, considerando a medida legal, técnica e tempestiva. Contudo, a posição dos ministros, alinhada ao MPTCU, prevaleceu na decisão de condicionar o julgamento das contas.

A expectativa é de que, ao final da análise da liquidação do Banco Master, o TCU retome a avaliação das contas de 2025 do Banco Central, podendo alterar o entendimento técnico anterior conforme novos elementos surgirem.