O Supremo Tribunal Federal encerrou, em sessão de 9 de outubro de 2026, o julgamento sobre a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes e a atuação do ministro André Mendonça sem chegar a uma decisão definitiva, com o ministro Flávio Dino pedindo vista. A falta de solução no Judiciário fez o tema migrar para o Senado Federal, que tem competência constitucional para analisar eventual crime de responsabilidade contra ministros do STF.

O autor do texto, Fausto Macedo, destaca que a composição projetada do Congresso Nacional para o mandato que se iniciará em 2027 altera significativamente o equilíbrio de forças. Na Câmara dos Deputados, a direita deve ocupar 283 cadeiras, o centro 123 e a esquerda 107; no Senado, 48 senadores de direita, 18 de centro e 15 de esquerda. Com esses números, a maioria absoluta na Câmara (257 votos) e no Senado (41 votos) não será alcançada pela direita sozinha, exigindo apoio do centro para alcançar quóruns qualificados, como os 308 votos necessários para aprovar uma emenda constitucional ou os 49 senadores para uma PEC.

O texto enfatiza que, embora o Legislativo tenha maior capacidade de articulação, a decisão sobre abrir ou não procedimentos de responsabilidade contra integrantes do Supremo dependerá da avaliação das instituições competentes, dentro dos limites constitucionais. Assim, a controvérsia que o STF não resolveu pode ganhar nova dinâmica no próximo Congresso, que terá a palavra para definir os rumos do controle entre os Poderes.