No segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro de 2026, a disputa se concentra não apenas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, mas entre projetos divergentes para a gestão dos recursos naturais do país. Desde 2023, o governo Lula homologou 20 terras indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares, e criou o Ministério dos Povos Indígenas, enquanto a Amazônia registrou queda de 50 % no desmatamento em 2025 em relação a 2022, segundo o Prodes do INPE.

O histórico de Flávio Bolsonaro levanta preocupações: entre 2019 e 2022, o governo de seu pai não demarcou nenhuma terra indígena e o desmatamento acumulado na Amazônia chegou a 45 mil km², conforme levantamento da Agência Brasil. Como senador, ele apresentou projetos para extinguir ou reduzir proteções ambientais, incluindo propostas que afetariam a Estação Ecológica de Tamoios, e defendeu o marco temporal. Em 2023, durante votação de projeto sobre o tema no Senado, não registrou voto, fato que deve ser mencionado com precisão.

O programa de Flávio Bolsonaro prevê a redução de ao menos dez ministérios, embora não detalhe quais seriam extintos. Caso a redução inclua o Ministério dos Povos Indígenas, a pasta poderia perder sua capacidade de formular e coordenar políticas públicas para os povos indígenas. Além das questões ambientais, o candidato destacou a importância das terras raras brasileiras para a segurança nacional dos Estados Unidos, sugerindo parcerias estratégicas que, sem transparência e agregação de valor interno, poderiam transformar recursos críticos em mera mercadoria de exportação.

Para os povos indígenas, o clima e a soberania nacional, o segundo turno representa uma decisão sobre quem definirá as políticas de proteção e quem arcará com os custos associados. A continuidade das conquistas recentes depende da manutenção das instituições criadas nos últimos anos e da defesa de um modelo que priorize a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/123507/o-segundo-turno-decide-o-que-o-brasil-fara-com-a-propria-riqueza).