Um estudo internacional publicado na revista *Earth’s Future* alerta que o El Niño de 2023‑2024 pode ter antecipado um padrão de seca e calor que se tornará mais frequente nas florestas tropicais nas próximas décadas. O estudo, divulgado em 10 de outubro de 2026, aponta que cerca de 75 % das áreas de florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e calor simultâneos durante o fenômeno, com a Amazônia sendo a região mais vulnerável.
Os pesquisadores analisaram dados de satélites, observações e projeções de 24 modelos climáticos para diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa. Eles estimam que, se as emissões globais continuarem em alta, a probabilidade de a Amazônia enfrentar secas de mesma intensidade que a de 2023‑2024 pode aumentar em até nove vezes até o fim do século, mesmo em anos sem influência do El Niño.
Além de reduzir a capacidade das árvores de absorver carbono, o estresse causado por calor e falta de água pode levar as florestas a liberar mais carbono para a atmosfera em condições extremas. A pesquisa também indica que temperaturas elevadas deverão se tornar pelo menos seis vezes mais prováveis em todas as regiões tropicais, mesmo no cenário de menores emissões.
Na Amazônia, os efeitos do El Niño de 2023‑2024 já foram observados: as estações secas passaram de cerca de quatro meses para até seis em algumas áreas, houve um aumento médio de 9 % nas áreas queimadas e de 19 % nos alertas de degradação florestal. O impacto também atingiu populações e ecossistemas locais, com rios chegando a níveis mínimos e mais de 300 botos morrendo em lagos aquecidos. O levantamento do MapBiomas citou que 38 % das ocupações humanas na região amazônica tiveram alta exposição à seca entre setembro e novembro de 2024.
O alerta ganha relevância diante da previsão de um novo El Niño em 2026‑2027, que, segundo o estudo, deverá atingir intensidade muito forte até o início do verão.
