Um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) revelou que, na Coreia do Sul, a diferença salarial entre homens e mulheres aumenta de forma alarmante à medida que a idade avança. Aos 27 anos, as mulheres ganham, em média, 8 % menos que seus colegas homens; no fim dos 50 anos, a disparidade chega a 50 %. Os dados são baseados em estatísticas salariais do governo e em entrevistas com 41 sul‑coreanas de 28 a 87 anos.

Segundo a HRW, a queda salarial se deve a vários fatores interligados: interrupções na carreira por casamento ou maternidade, empregos precários e a acumulação de salários mais baixos ao longo do tempo. A ativista sul‑coreana Min Hee Kim, que participou do relatório, destacou que a divisão de trabalho doméstico se reflete no mercado de trabalho, forçando muitas mulheres a aceitar empregos de menor remuneração ao tentar retornar ao mercado.

A Coreia do Sul mantém a maior diferença salarial entre homens e mulheres entre os países da OCDE desde 1992. Embora as mulheres tenham superado os homens em formação universitária desde os anos 1980, apenas 18 % ocupam cargos de gerência e apenas 5 de 38 altos funcionários da administração pública são mulheres, segundo o relatório.

O relatório também observa que os salários das mulheres atingem o pico no final dos 30 anos e, a partir daí, caem de forma constante, conforme dados do Ministério do Trabalho e do Ministério da Igualdade de Gênero.

A HRW conclui que a disparidade salarial se agrava com a idade, evidenciando a necessidade de políticas públicas que abordem a desigualdade de gênero no mercado de trabalho sul‑coreano.