No domingo (18/10), a Rússia celebrou o primeiro mês de operação do rublo digital, moeda eletrônica lançada pelo Banco Central russo em setembro. O governo apresenta a iniciativa como parte da estratégia de "autonomia digital", que visa garantir que a infraestrutura de pagamentos seja controlada nacionalmente. Segundo o Banco Central, 88 % dos pagamentos no comércio e serviços já são realizados sem dinheiro em espécie, reforçando a tendência de digitalização dos pagamentos no país.
A conta em rublo digital é aberta diretamente na instituição estatal responsável, podendo ser acessada por meio de aplicativos móveis de qualquer banco conectado à plataforma. Todos os bancos russos deverão adotar a nova moeda, diferentemente do modelo brasileiro, onde o Pix – serviço de pagamentos instantâneos – é opcional para instituições com menos de 500 mil contas ativas.
Durante o Global Digital Forum, em Moscou, o ex‑ministro do Desenvolvimento Econômico, Maxim Oreshkin, citou o Pix e o Nubank como referências de soluções digitais que podem servir de inspiração, ao mesmo tempo em que alertou sobre a vulnerabilidade de dados quando dependem de plataformas estrangeiras. Oreshkin ressaltou que a soberania dos dados é essencial para evitar que terceiros, inclusive outros países, acessem informações sensíveis.
O rublo digital também impõe obrigações a varejistas de grande porte, que devem aceitar a moeda em transações acima de 120 milhões de rublos anuais. No Brasil, o uso do Pix é opcional, embora 96 % dos pequenos comércios já o adotem, de acordo com o Sebrae.
