Renato Dorgan, cientista político e CEO do Instituto Travessia, analisou que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) será decidida pela capacidade de mobilização física nas cidades menores, e não pelos grandes centros urbanos ou pelo ambiente digital. Dorgan criticou a estratégia do PT no primeiro turno, descrevendo-a como “sem alma e sem disputa”, ao apresentar Lula como se tivesse 70 % de aprovação, e destacou que, no segundo turno, o partido passou a usar influenciadores e governadores bem avaliados do Nordeste para retomar a campanha.

Segundo o especialista, a direita se organizou de forma pragmática, “colando” Flávio Bolsonaro em grandes players de voto, o que pode ser decisivo nas localidades onde o contato direto ainda pesa. Ele também comentou o debate televisivo de domingo, apontando que a falta de concessões entre os candidatos gerou tensão e pode afastar eleitores indecisos, aumentando a possibilidade de votos nulos no segundo turno.

Dorgan ressaltou que, no primeiro turno, uma pesquisa interna do instituto mostrou que quatro em cada dez eleitores foram às urnas motivados por desânimo, revolta ou descrença. No segundo turno, tanto a esquerda quanto a direita teriam conseguido levar apoiadores às ruas, indicando uma mudança de comportamento que reforça a importância da mobilização presencial nos pequenos municípios.

A entrevista, publicada pelo Estadão Política, traz a visão de Dorgan sobre a dinâmica da campanha e aponta que o resultado da eleição dependerá, sobretudo, da capacidade dos candidatos de ativar suas bases nos municípios de menor porte, onde o contato direto ainda tem grande peso nas decisões eleitorais.