A nova jornada de trabalho, aprovada pelos senadores na quarta‑feira (14/10) após ter sido autorizada pelos deputados em maio, tem potencial de tornar as vagas com carteira assinada mais atrativas, segundo Guilherme Mello, secretário‑executivo do Ministério do Planejamento. Mello destacou que a medida pode estimular a formalização de empregos e melhorar a arrecadação da Previdência.
Ele apontou que a preferência dos brasileiros pela CLT caiu de 77 % para 67 % entre 2022 e 2025, conforme pesquisa Datafolha de julho de 2025, refletindo o crescente interesse em empreendedorismo e no modelo de microempreendedor individual (MEI). Para o secretário, políticas recentes do governo – como a isenção do Imposto de Renda para salários até 5 mil reais e a ampliação dos limites de crédito habitacional – já sinalizam uma inflexão em direção à classe média.
Mello reconheceu que a literatura econômica ainda não oferece conclusões definitivas sobre os efeitos da redução da jornada na produtividade, mas ressaltou que a mudança pode evitar a “escala 6 por 1” que ainda prevalece em muitas empresas. Ele também criticou a proposta de reforma trabalhista defendida pelo senador Rogério Marinho (PL), que pretende criar um regime paralelo à CLT com negociação individual de salários e benefícios, argumentando que tal modelo seria um “engodo” para os trabalhadores.
A nova jornada deve entrar em vigor a partir de meados de dezembro, segundo o texto da lei. O empresário Fiesp, que lidera a oposição ao recorte de jornada, tem alertado sobre possíveis aumentos da informalidade e queda de produtividade, mas Mello mantém a expectativa de que a medida contribua para a retomada da atratividade da CLT.
Fonte: CartaCapital. https://www.cartacapital.com.br/politica/reducao-da-jornada-pode-tornar-clt-mais-atraente-diz-guilherme-mello/
