O artigo de José Luis Costa, publicado no Congresso em Foco em 15 de outubro de 2026, analisa como a lógica das redes sociais tem convertido a política brasileira em um espetáculo de imagens. Segundo o autor, a presença digital dos parlamentares nem sempre reflete sua capacidade de negociação e atuação legislativa, gerando uma divergência entre a representação imagética e a institucional.

A partir da teoria de Guy Debord, o texto explica que a sociedade do espetáculo faz com que a existência seja organizada pela expectativa de sua representação, o que na política se traduz em adversários reduzidos a símbolos – "a esquerda", "o sistema", "o fascista" – que definem tanto o inimigo quanto a identidade do próprio eleitor. Nas eleições de 2026, esse processo foi intensificado, permitindo que imagens políticas se reproduzam rapidamente e influenciem a escolha dos candidatos.

O autor introduz o conceito de "eleitor‑avatar", aquele que participa da política como unidade de reprodução de imagens, compartilhando e reforçando representações que se convertem em voto. Essa dinâmica cria tensão entre a necessidade de negociação e construção de maiorias no Congresso, que representa a 59ª legislatura, e a velocidade da viralização de soluções simplificadas nas redes.

Ao final, Costa destaca que o desafio contemporâneo do Congresso reside em equilibrar a pressão das representações imagéticas, que mobilizam emoções e antagonismos, com a realidade institucional que demanda tempo, competência e limites constitucionais para a aprovação de propostas.

Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/123282/espetacularizacao-de-um-congresso-nacional-nada-espetacular).