No dia 11 de outubro de 2026, a coluna *A incerteza continua* do Estadão Política destacou que, apesar de cada parlamentar federal contar com cerca de R$ 40 milhões anuais em emendas individuais e de um sistema partidário bilionário, apenas 54 % dos deputados renovaram seus mandatos no primeiro turno das eleições de 2026. Esse percentual fica abaixo da média histórica de 63 % e, embora superior ao mínimo de 47 % registrado em 2018, demonstra que a expansão de recursos não se traduziu em maior segurança eleitoral.
Segundo o autor, a conexão entre deputados e eleitores passa por uma rede de intermediários – prefeitos, vereadores, empresários, líderes religiosos, sindicatos e associações locais – que transformam os recursos em reconhecimento político. A distribuição de dinheiro, contudo, não garante votos, pois os eleitores precisam reconhecer a origem dos benefícios e as lideranças locais precisam ter incentivos para mobilizar apoio.
O sistema proporcional de lista aberta também aumenta a incerteza, pois os incumbentes competem não apenas com adversários de outros partidos, mas também com candidatos da própria legenda. Quando vários concorrentes têm recursos, a vantagem financeira individual diminui, intensificando a disputa pelas redes locais.
Assim, a coluna conclui que, mesmo em um Congresso cada vez mais poderoso sobre o orçamento, os deputados continuam sujeitos ao risco de derrota, e essa incerteza é essencial para a responsabilização democrática.
Fonte: Estadão Política, "A incerteza continua", 11/10/2026.
