Segundo o economista e ex‑diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, em entrevista concedida ao programa Poder Eleições do Poder360, o próximo governo federal terá que realizar um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2,5 % do Produto Interno Bruto para estabilizar a dívida pública. Schwartsman explicou que, sem esse superavit primário, o déficit continuará a crescer, pressionando juros e ampliando o endividamento.
Ele apontou que, para alcançar esse superavit, seriam necessárias mudanças em despesas obrigatórias, como a Previdência, a regra de valorização do salário‑mínimo e as vinculações orçamentárias de saúde e educação. Entre as propostas citadas, destaca‑se a elevação da idade mínima de aposentadoria de 65 para 67 anos, medida que exigiria aprovação tanto no Congresso quanto pelo presidente eleito.
Schwartsman também manifestou ceticismo quanto à concentração do ajuste em uma única Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de transição, lembrando que a experiência da transição entre os governos Bolsonaro e Lula mostrou limites para esse tipo de solução pontual. Ele sugeriu que, para viabilizar o superavit, seria preciso um conjunto de reformas estruturais que ultrapasse medidas isoladas.
O Tesouro Nacional, por sua vez, já havia projetado, em relatório divulgado em junho, déficit primário de 0,4 % do PIB em 2026 e de 0,1 % em 2027, indicando que ainda serão necessárias ações adicionais para cumprir as metas fiscais nos anos seguintes.
