Os planos de governo apresentados pelos candidatos ao segundo turno da eleição presidencial de 2026 – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – foram analisados pelo Poder360 em matéria publicada neste sábado (24/10). Ambos os documentos trazem propostas convergentes nas áreas de saúde e educação, mas divergem em temas econômicos, fiscais e de segurança. Lula submeteu seu programa ao Tribunal Superior Eleitoral em 7 de agosto, enquanto Flávio Bolsonaro divulgou o seu em 13 de agosto.
Na esfera econômica, Lula defende a manutenção do arcabouço fiscal, o aumento de investimentos públicos e a combinação de crescimento econômico com controle de despesas e maior arrecadação, inclusive com maior tributação de renda alta e revisão de benefícios fiscais. Em contraste, Flávio propõe uma nova regra fiscal, a geração de superávits primários, a redução da dívida em relação ao PIB e cortes de gastos, como a extinção de ao menos dez ministérios e a diminuição de cargos comissionados, além da retomada do Programa Nacional de Desestatização.
Quanto à tributação, o plano de Lula busca ampliar a arrecadação, enquanto o de Flávio aposta na redução da carga tributária, revisão da reforma tributária sobre o consumo, diminuição do IVA e desoneração de investimentos e exportações, além de redução de tributos sobre energia e combustíveis.
Economistas consultados pelo Poder360 apontam lacunas em ambos os projetos. Bruno Perri, da Forum Investimentos, considera o arcabouço fiscal de Lula insuficiente e sem consequências claras para descumprimento de regras, e observa que o plano de Flávio não detalha o impacto dos cortes de despesas nem projeta a dívida. Alexandre Schwartsman, ex‑diretor do Banco Central, classificou o orçamento de Lula como “frouxo” por pouca ênfase no controle de despesas e destacou que ajustes duradouros exigiriam enfrentar despesas obrigatórias.
