A produtora cinematográfica de Karina Gama, responsável pelo longa "Dark Horse" sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), assinou um contrato de confidencialidade em novembro de 2021 com a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, obtido pelo Estadão, prevê a troca de informações sobre possíveis negócios e indica que a Master estaria disposta a aportar recursos em produções da produtora.

O acordo, com vigência de cinco anos, foi firmado antes do início das negociações para a produção do filme, que se intensificaram ao longo de 2022, quando Karina Gama passou a tratar diretamente com o ex‑secretário de Cultura e atual deputado federal Mario Frias (PL‑SP) para a aquisição dos direitos da biografia de Bolsonaro. A defesa da produtora alega que o chamado “suposto acordo” não resultou em captação de recursos e nega contato direto com Daniel Vorcaro.

Segundo a investigação da Polícia Federal, valores vinculados ao filme foram encaminhados posteriormente por meio de um operador financeiro da Master a um fundo nos Estados Unidos, supostamente controlado por advogado de Eduardo Bolsonaro (PL‑SP). O caso está sendo apurado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal: um sob relatoria do ministro André Mendonça, que investiga supostas irregularidades nas solicitações de recursos feitas por Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), e outro sob relatoria de Flávio Dino, que examina possíveis desvios de emendas parlamentares para a produtora de Karina Gama.

A defesa de Karina Gama sustenta que a apresentação de projetos culturais a instituições financeiras é prática comum no setor e que não houve relação comercial direta entre sua produtora, a Go Up, e as empresas de Vorcaro. O documento de 2021, porém, demonstra que a produtora manteve contato direto com a Master, contradizendo declarações anteriores da produtora.