Segundo o G1, o presidente eleito para o mandato 2027‑2030 enfrentará um cenário econômico adverso, marcado por juros elevados, baixa produtividade, instabilidade internacional, alto endividamento das famílias e projeções de inflação acima da meta. Os especialistas consultados apontam que a taxa básica de juros (Selic) está em 13,75% ao ano, após ter atingido 15%, o que ainda a coloca entre as mais altas do mundo em termos reais. O Banco Central mantém essa taxa alta para conter pressões inflacionárias e buscar a meta de 3% de inflação.

A economista Zeina Latif, da Gibraltar Consulting e professora do Insper, enfatiza que, além da política monetária, é necessária uma "pacificação do país" para criar uma base aliada no Congresso, o que aumentaria a confiança dos agentes econômicos e facilitaria a implementação da agenda econômica. Ela destaca que a estabilidade política é um pré‑requisito para melhorar o ambiente macroeconômico.

Os economistas Felipe Salto, da Warren Investimentos, e outros analistas defendem a necessidade de reequilibrar as contas públicas, retomando superávits primários de forma sustentável. Salto alerta que a solução não pode ser um "choque" isolado, mas um programa de ajuste de longo prazo, aprovado pelo Congresso, que inclua revisão de subsídios, emendas parlamentares e a reforma da previdência militar. Ele também aponta que o alto endividamento das famílias é agravado pelos spreads bancários, que permanecem acima da Selic, exigindo medidas para reduzir esses custos de crédito.

Até o momento, não há detalhes específicos nos planos dos principais candidatos sobre como pretendem alcançar esses ajustes fiscais ou reduzir os juros. O G1 conversou com especialistas para mapear as principais dificuldades e possíveis caminhos, mas a matéria não traz respostas oficiais do futuro presidente nem de membros do Congresso sobre as propostas citadas.