Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que, embora não seja o cenário ideal, pode ser preciso alterar as normas eleitorais a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta‑feira (23/10/2026), o ministro explicou que a decisão de não avançar com uma minuta que restringiria o uso de canais de WhatsApp nas 48 horas que antecedem a abertura das urnas foi tomada por cautela, mas que a flexibilidade normativa pode ser necessária caso surjam novas tecnologias não cobertas pela resolução vigente.

Nunes Marques ressaltou que mudanças nas regras poderiam, em alguns casos, beneficiar o processo eleitoral, permitindo que o TSE reflita sobre a restrição de ferramentas digitais ou sua adequação ao cenário tecnológico atual. “Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras. Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”, declarou ao ser questionado pelas jornalistas Mariana Muniz e Pepita Ortega.

O ministro também abordou alegações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, cujas mensagens extraídas de celulares de terceiros foram apresentadas pela Polícia Federal. Nunes Marques afirmou que nunca teve negócios com Vorcaro, embora reconheça conhecê‑lo socialmente, e negou que seu filho tenha recebido pagamentos do banco. “Estão criminalizando o conhecimento social que as pessoas têm. Isso nunca existiu”, disse, acrescentando que há um esforço para “tirá‑lo do processo”.

Ao ser indagado sobre quem poderia estar por trás desse suposto esforço, o presidente do TSE limitou‑se a mencionar “muita gente” e “interesses” que poderiam se beneficiar de sua remoção, sem apontar nomes específicos. A entrevista indica que o debate sobre a adequação das regras eleitorais às novas tecnologias permanece aberto, especialmente com a proximidade do segundo turno.