A Polícia Federal iniciou, nesta quarta‑feira (14/10), a reestruturação técnica dos relatórios que mencionam magistrados das cortes superiores no âmbito do caso Master. A medida segue orientação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e tem como objetivo garantir que os documentos mantenham caráter exclusivamente informativo e neutro, sem interpretações ou acusações contra autoridades com foro privilegiado.
A corporação busca ajustar a linguagem e a estrutura dos relatórios para que apresentem apenas dados brutos – como datas de mensagens e registros de viagens – deixando a análise de eventuais irregularidades a cargo do Judiciário e do Ministério Público Federal. Conforme a determinação de Fachin, os nomes de seis ministros do STF e dois do Superior Tribunal de Justiça serão tratados em documentos separados e individualizados, contendo o conteúdo das mensagens e a identificação dos interlocutores, sem enquadramentos criminais.
Relatórios anteriores já citaram ministros como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e um familiar de Luiz Fux. No caso de Toffoli, as menções referiam‑se a encontros e conversas sobre empresas ligadas à sua família; no de Moraes, foram registradas supostas mensagens com o empresário Daniel Vorcaro entre 2023 e 2025; já em relação a Mendonça, a polícia analisou critérios de suas decisões judiciais.
A conclusão dos novos relatórios está prevista para ainda este mês de outubro. Após a entrega definitiva, Edson Fachin enviará o material à Procuradoria‑Geral da República, que emitirá parecer sobre a existência de elementos suficientes para abrir investigações oficiais. Caso haja fundamento, o caso será levado ao Plenário do STF para decisão coletiva sobre a continuidade ou o arquivamento das apurações contra os ministros citados.
