A Polícia Federal está apurando, dentro dos inquéritos do caso Master, a possível existência de uma rede de cafetinagem operada por Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master. Mensagens reveladas pelo UOL e confirmadas pela Gazeta do Povo indicam que mulheres, em sua maioria estrangeiras e algumas menores de 18 anos, seriam recrutadas por agências de modelos e levadas a festas e encontros reservados com autoridades, sem possibilidade de usar celular e, muitas vezes, sem falar português.
Segundo as conversas interceptadas, Vorcaro teria sido o sócio oculto da estrutura, autorizando pagamentos, financiando a rede com aportes milionários a partir de 2023 e decidindo quem entrava ou saía das “agências”. A PF aponta que a operação teria contado com um promotor próximo ao ex‑banqueiro responsável por selecionar as mulheres, um intermediário nos Estados Unidos que cuidava da logística de voos e hotéis, e diferentes grupos internos – “Famiglia A” e “Famiglia B” – que organizavam eventos de grande porte para a cooptação de autoridades.
A investigação também busca esclarecer se houve tráfico de pessoas e exploração sexual, especialmente de menores, e se as mulheres eram trazidas ao Brasil e encaminhadas a outros países sem documentação. Vorcaro nega as acusações. Até o momento, a PF ainda não divulgou indícios concretos de condenação, mantendo o caso sob sigilo enquanto prossegue a coleta de provas.
