A Polícia Federal apontou, em relatório de 110 páginas, um grupo de 27 supostos cúmplices do deputado estadual do Rio de Janeiro Márcio Correia de Oliveira, conhecido como “Márcio Canella”, preso na quinta‑feira (15/10). A investigação, parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, revela que o parlamentar teria liderado organização criminosa que movimentou e lavou R$ 7,6 bilhões desde 2020 por meio de um cartel de postos de combustíveis e da infiltração de aliados em órgãos públicos.

Segundo o documento, o deputado atuava como “patrono político e articulador de alto escalão”, conectando o poder público ao esquema e usando procurações de sua esposa, Luana Oliveira, e da sócia dela, Luise Correa, para ocultar a propriedade real dos postos. Entre os nomes citados pela PF estão o operador da rede, Pablo Jukiá Felix Ferreira – apelidado de “Pablo Russo” – e Gabriel da Silva Bastos, conhecido como “Calcinha”, que teria repassado informações sobre fiscalizações e pagamentos da prefeitura de Magé.

O relatório também fundamentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a deflagração da oitava fase da operação e determinou a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas ao deputado, das quais 96 são postos de combustíveis. O Estadão solicitou manifestação de Canella e dos demais citados na investigação, bem como da prefeitura de Magé, e aguarda respostas.