Um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo analisou 7.456 cultos e missas nos dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições de 2026 e constatou que a presença de propaganda eleitoral direta nas celebrações religiosas foi rara, ocorrendo em apenas 3% dos serviços analisados. O estudo, divulgado em 10 de outubro de 2026, indica que a maioria das igrejas não utilizou o espaço de culto para solicitar votos a candidatos ou partidos.
A pesquisa se baseou em transmissões ao vivo e gravações de cultos de diversas denominações, abrangendo diferentes regiões do país. Os pesquisadores buscaram identificar mensagens explícitas de apoio a candidatos, bem como a exibição de materiais de campanha dentro dos templos. Os resultados mostraram que, embora alguns líderes religiosos tenham mencionado temas políticos de forma geral, o voto de cajado – pedido direto de apoio eleitoral – foi detectado em apenas 3% dos casos.
Os autores do estudo ressaltam que a baixa incidência de propaganda eleitoral nas igrejas contraria a percepção difundida nas redes sociais de que as instituições religiosas estariam massivamente envolvidas na campanha. Eles apontam ainda que a fiscalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permanece atenta a possíveis infrações, mas que, segundo os dados coletados, a prática não se mostra generalizada.
A Folha de S.Paulo destaca que o levantamento não substitui a análise de eventuais denúncias específicas, que devem ser avaliadas caso a caso pelas autoridades competentes. O resultado da pesquisa serve, portanto, como um contraponto a rumores e como um indicativo de que a maioria das congregações manteve a neutralidade durante o período eleitoral.
