A pesquisa "Hábitos Culturais", divulgada na quarta‑feira (14/10/2026), revelou que 42% dos brasileiros consideram o aumento do acesso gratuito a atividades culturais – como shows, filmes, espetáculos e exposições – a principal expectativa em relação às políticas públicas de cultura dos próximos governantes. O levantamento, realizado pela agência Brasil, indica ainda que 32% dos entrevistados desejam a criação de mais equipamentos ou instituições públicas de cultura, como museus, teatros e cinemas.

Os dados apontam desigualdade no acesso: enquanto 63% da população das classes A e B frequentou o cinema nos últimos 12 meses, apenas 18% das classes D e E o fizeram. Cerca de metade dos frequentadores de eventos culturais gasta, em média, R$ 100 por mês com cultura, sendo o custo de deslocamento e ingressos o principal fator de desmotivação, seguido pelo medo da violência.

Ana Maria Cardoso, coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, destacou que, embora o direito à cultura esteja garantido na Constituição, barreiras econômicas e de segurança ainda limitam o acesso, sobretudo entre as classes menos favorecidas. Ela ressaltou que 32% da população desconhece que o acesso à cultura é um direito constitucional e 27% não sabe o que significa ter esse direito.

Além da demanda por mais equipamentos culturais, a pesquisa apontou outras prioridades: 28% dos entrevistados pedem melhorias, reformas ou modernização dos equipamentos existentes; 26% defendem maior financiamento e incentivo à produção cultural independente; 22% solicitam apoio a iniciativas culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais; e 21% pedem valorização e formação de artistas e profissionais da cultura.