A proposta de redução da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso (PEC 6×1) não deve ser suficiente para garantir a virada de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2026, conforme análise da Gazeta do Povo. Apesar do apelo popular, a medida enfrenta barreiras como a rejeição ao governo e o ceticismo da classe C, que prioriza questões de poder de compra e qualidade dos serviços públicos.
Especialistas apontam que a PEC 6×1 pode reduzir a diferença entre os candidatos, mas dificilmente reverterá o cenário eleitoral de forma isolada. O eleitorado da classe C, diversificado entre trabalhadores formais e autônomos, tem expectativas diferentes: enquanto alguns veem a medida como melhoria da qualidade de vida, outros temem impactos econômicos e preferem o livre empreendedorismo, segmento em que Flávio Bolsonaro teve melhor desempenho no primeiro turno.
A campanha governista pretende atrair os 33 milhões de eleitores que se abstiveram nas eleições, concentrando esforços na classe C, D e E e nos beneficiários do Bolsa Família que ingressaram no mercado formal. Contudo, não há garantias de que a PEC vá mobilizar esses eleitores a favor de Lula, já que parte deles pode ser motivada a comparecer às urnas para apoiar a oposição.
Em síntese, a PEC 6×1 oferece uma narrativa de ganho social para a campanha de Lula, mas esbarra em um eleitorado fragmentado, cético em relação a promessas trabalhistas e preocupado com os custos de médio e longo prazo. O sucesso da estratégia dependerá de como a campanha conseguirá combinar a proposta com outras demandas econômicas e sociais dos eleitores.
