A série “Os eleitos”, produzida pelo Estadão, entrevistou 16 parlamentares e governadores que venceram no primeiro turno das eleições de 2026 para mapear os principais recados das urnas. A maioria dos entrevistados atribui o resultado à forte polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), além ao papel do Supremo Tribunal Federal (STF) nas campanhas.

A deputada federal Julia Zanatta (PL‑SC) comemorou a reeleição como a parlamentar mais votada em Santa Catarina e interpretou o voto como um “recado” de que o eleitor quer políticos de posicionamento definido, destacando a vitória da direita como “muito boa”. Em contraste, a deputada federal Erika Hilton (PSOL‑SP), reeleita em São Paulo com 1.596.472 votos, apontou a polarização como um “polo de resistência” contra o avanço da extrema‑direita e alertou para a ameaça que o projeto bolsonarista representa à democracia.

Os entrevistados de direita, como o deputado Filipe Barros (PL‑PR), acusam o STF e o Tribunal Superior Eleitoral de interferência indireta nas eleições, sugerindo que a população enviou um recado contra esse “desgoverno”. Já o senador eleito Gustavo Gayer (PL‑GO) culpou o ministro Alexandre de Moraes de ser o maior derrotado nas urnas, ao lado do presidente Lula. Por outro lado, figuras ligadas ao governo Lula ainda consideram prematuro avaliar o impacto da crise do STF nas próximas disputas eleitorais.

A série ainda destacou que, além da polarização, a disputa nas redes sociais tem sido um canal importante para a transmissão desses recados, reforçando a fragmentação do debate público. O Estadão indica que as entrevistas continuam em andamento, com novos políticos a serem ouvidos nas próximas semanas.