Segundo o Poder360, um estudo realizado pelo Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade analisou os planos de governo de seis candidatos à presidência em 2026 – Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) – para mapear promessas relacionadas à tecnologia, inteligência artificial, ciência, educação digital e soberania tecnológica. Foram examinadas 592 páginas dos documentos registrados na Justiça Eleitoral, das quais 563 continham texto extraível, totalizando 168.906 palavras.
A pesquisa identificou 98 promessas diretamente ligadas ao tema tecnológico. Cada promessa foi avaliada segundo cinco indicadores de execução: instrumento ou órgão responsável, prazo ou etapas, financiamento, meta mensurável e condição de viabilidade. Os resultados revelam que a simples contagem de menções pode ser enganosa, pois os documentos variam muito em extensão. Por exemplo, Augusto Cury citou “inteligência artificial” 56 vezes, mas seu plano tem cerca de 40 mil palavras, enquanto o de Lula, com menos menções, apresenta maior densidade de inovação quando ajustado por tamanho (22,4 menções a cada 10 mil palavras).
Ao passar das palavras para ações concretas, Ronaldo Caiado lidera com 22 promessas tecnológicas, seguido por Augusto Cury (18), Luiz Inácio Lula (16), Renan Santos (15), Romeu Zema (14) e Flávio Bolsonaro (13). A qualidade das propostas também varia: a média de sinais de execução por promessa foi de 3,05 para Caiado, 3,00 para Renan Santos, 2,57 para Zema, 2,39 para Cury, 2,38 para Lula e 2,08 para Bolsonaro. Isso indica que, embora alguns candidatos apresentem mais promessas, nem todas trazem detalhes suficientes para avaliação de viabilidade.
O estudo conclui que a análise de conteúdo deve ir além da frequência de termos e considerar a clareza dos instrumentos, responsáveis, prazos e recursos previstos. Essa abordagem permite identificar quais propostas têm maior potencial de se transformar em políticas efetivas, oferecendo ao eleitorado uma ferramenta para comparar de forma mais substancial os planos de governo no campo da tecnologia.
