A coluna de José Dirceu, publicada em 19 de outubro de 2026 no Congresso em Foco, aponta que a insatisfação com o custo de vida, a precarização do trabalho e a falta de perspectivas está gerando mobilizações em diversos países. Na França, estudantes protestam contra a deterioração da escola pública; na Espanha, milhares se manifestam contra a crise habitacional; na Albânia, protestos contra a corrupção surgiram a partir de um empreendimento turístico controverso; e no Chile, estudantes e professores se mobilizam contra cortes na educação poucos meses após a posse de José Antonio Kast.

Esses movimentos, embora distintos, revelam um sentimento comum: amplas camadas da população não enxergam segurança econômica, mobilidade social ou perspectivas de melhoria em relação às gerações anteriores. A coluna destaca que não se trata apenas de uma onda conservadora, mas de uma crise de resultados do capitalismo contemporâneo, que tem gerado concentração de renda, precarização do trabalho e aumento dos custos de moradia.

Na América Latina, a tendência se reflete nas eleições recentes, com a vitória de forças de direita ou extrema‑direita na Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia, impulsionada por voto de punição e insegurança econômica. O texto ressalta que grande parte do eleitorado vota contra governos não por aderência ideológica, mas por insatisfação com condições concretas de vida.

No Brasil, o autor menciona que o presidente Luiz Inácio Lula ampliou seu apoio entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 57 % das intenções de voto em pesquisa BTG/Nexus divulgada em 13 de outubro, um segmento que cresceu com políticas de acesso ao ensino superior e inclusão social. Contudo, o autor alerta que a extrema‑direita se alimenta das insuficiências dos governos anteriores e que programas ultraliberais, como o de Javier Milei na Argentina, não resolvem as causas estruturais do mal‑estar.