Um levantamento feito a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrou que 60,9% dos candidatos eleitos nas Eleições 2026 registraram despesas com impulsionamento de conteúdos nas redes sociais, enquanto 39,1% não apresentaram esse tipo de gasto. Entre os 1.664 candidatos eleitos analisados, 1.014 tiveram registro de impulsionamento; entre os 18.449 candidatos não eleitos, apenas 4.874 (26,4%) registraram a despesa. Esses números indicam uma associação entre o investimento em anúncios pagos e a probabilidade de vitória, mas não confirmam que o impulsionamento seja determinante por si só.

O estudo também destacou que a vitória eleitoral depende de múltiplas variáveis, como estrutura partidária, alianças, presença territorial, histórico de atuação e, sobretudo, a memória do eleitor. Mesmo quando a campanha digital amplia a mensagem, o eleitor ainda avalia o candidato com base em sua trajetória anterior, promessas cumpridas e reputação construída ao longo do tempo.

A análise regional apontou que alguns estados registram percentuais elevados de eleitos sem gasto em impulsionamento: Acre (83,3%), Roraima (77,1%), Alagoas (69,2%), Amapá (65,7%), Sergipe (62,8%) e Paraíba (58,8%). Isso demonstra que, apesar da relevância do digital, estratégias locais, relações pessoais e liderança comunitária continuam sendo fatores decisivos em diversas regiões.

O autor do artigo, Eduardo Gurian, conclui que o algoritmo pode alcançar o eleitor, mas a narrativa política construída ao longo da carreira do candidato é essencial para converter esse alcance em voto. A combinação de presença digital e memória eleitoral parece ser a fórmula mais eficaz nas disputas eleitorais de 2026.