O New York Times analisou que, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial no Brasil, o país poderia se tornar a peça-chave para a estratégia de Donald Trump de ampliar sua rede de aliados de direita na América Latina. A reportagem aponta que, nos últimos 18 meses, sete eleições presidenciais na região foram conquistadas por candidatos de direita, e o Brasil seria o próximo passo dessa tendência.

Segundo o jornal americano, Flávio Bolsonaro tem histórico de apoio ao ex‑presidente dos EUA, inclusive já tendo pressionado Trump para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O candidato também teria manifestado, em postagens nas redes sociais no ano passado, que veria com bons olhos uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil, embora tenha negado essa posição em entrevistas recentes, limitando a cooperação à área de inteligência.

Especialistas citados pelo NYT avaliam que a cooperação em segurança poderia ajudar no rastreamento de recursos de organizações criminosas, mas ressaltam dúvidas sobre a eficácia das ações militares dos EUA contra o tráfico de drogas e os impactos sobre a soberania latino‑americana. O jornal ainda relembra que Trump tentou, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, impor tarifas de 50 % sobre produtos brasileiros para pressionar o governo brasileiro no processo criminal contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro, tentativa que não obteve sucesso.

A análise do NYT não traz uma decisão oficial nem uma mudança de postura do candidato; trata‑se de avaliação jornalística baseada em declarações públicas de Flávio Bolsonaro e em entrevistas com especialistas. Até o momento, não há confirmação de que o candidato tenha alterado sua posição sobre a cooperação militar ou de que haja um plano concreto para integrar o Brasil à chamada “Escudo das Américas”.