Segundo o G1, o cadastro eleitoral do Pará registrou um aumento significativo de eleitores autodeclarados indígenas e quilombolas para as eleições de 2026. Os quilombolas passaram de 12.649 em 2024 para 23.422 em 2026, alta de 85%, enquanto os indígenas subiram de 11.169 para 17.069, crescimento de 52%. Esses números são provenientes do cadastro da Justiça Eleitoral, que passou a incluir a identificação de etnia e pertencimento a comunidades quilombolas após a reabertura do cadastro em novembro de 2022.
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE‑PA) atribui parte desse aumento à realização de mutirões de inscrição desde 2023, tanto em comunidades tradicionais quanto nas cidades, permitindo que eleitores que moram fora de aldeias ou quilombos também se identifiquem. Elaine Santana, secretária de Planejamento do TRE‑PA, explicou que antes de 2023 só era possível identificar esses eleitores se eles votassem em seções localizadas dentro de suas comunidades.
Para as comunidades, a participação nas eleições é vista como oportunidade de pressionar por políticas públicas. Na Terra Indígena Mãe Maria, em Marabá, a liderança indígena Amix Topramre destacou a necessidade de atenção a questões como emprego, saúde e educação. Já na comunidade quilombola de Macapazinho, a técnica de enfermagem Bruna Faro apontou a falta de segurança e de educação voltada para a realidade quilombola como demandas prioritárias.
O TRE‑PA informou que, nas eleições de 2026, o estado terá 58 locais de votação em aldeias indígenas e 95 em quilombos, dentro dos 6.267.107 eleitores aptos a votar no Pará. O crescimento observado no estado reflete uma tendência nacional: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou que o número de eleitores indígenas no Brasil subiu de 155.661 em 2024 para 287.157 em 2026 (aumento de 84%) e o de quilombolas passou de 95.409 para 188.371 (crescimento de 97%).
