Uma nova espécie de anfíbio do gênero *Siphonops* foi oficialmente batizada como *Siphonops maria* no domingo (11/10). O nome homenageia Maria, mulher escravizada que, entre 1861 e 1874, integrou um grupo de 11 pessoas responsáveis por plantar mais de 100 mil árvores na Floresta da Tijuca, hoje parte do Parque Nacional da Tijuca. A escolha do nome tem o objetivo de popularizar a cobra‑cega, animal pouco conhecido mesmo entre especialistas.

O holótipo da espécie foi coletado em 2015 no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, e está depositado no Museu Paraense Emílio Goeldi. Segundo o pesquisador Adriano Oliveira Maciel, do Museu Paraense Emílio Goeldi, a espécie foi inicialmente confundida com *Siphonops hardyi*, mas diferenças no número de anéis corporais, na dentição e em sequências genéticas confirmaram sua identidade distinta. O trabalho, co‑autorado pelo professor Luís Felipe Toledo, da Universidade Estadual de Campinas, foi publicado no *Zoological Journal*.

Maciel explicou que a designação também celebra as mulheres brasileiras, já que “Maria” é o nome feminino mais usado no país, com mais de 12 milhões de registrantes. “Todo mundo conhece uma Maria; por exemplo, a minha mãe e quase todas as minhas tias se chamam Maria”, afirmou. A descoberta reforça a importância de ferramentas genéticas e de microtomografia para diferenciar espécies de cecílias, cujo aspecto morfológico externo é muito semelhante entre os diferentes membros do gênero.

A pesquisa contou com coleta adicional de exemplares em 2018 e 2022, bem como comparações em museus de Paris e do Rio de Janeiro. O estudo destaca a necessidade de mais amostras para aprofundar o conhecimento sobre a evolução e a diversidade desse grupo de anfíbios fossoriais.

Fonte: Poder360. https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/nova-cobra-cega-homenageia-o-nome-mais-popular-do-brasil/