As consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara divulgaram nota técnica conjunta, em 08/10/2026, alertando para diferenças entre as projeções do governo e do mercado financeiro para a economia entre 2027 e 2029, no âmbito do projeto da Lei Orçamentária Anual (PLN 24/2026). O documento aponta que o governo estima um superávit primário de R$ 14,22 bilhões (0,1% do PIB) para 2027, enquanto o mercado projeta um déficit de 0,4% do PIB, informou a Agência Senado.
A análise indica que a dívida bruta do governo deverá subir de 86,5% do PIB em 2027 para 89,7% em 2030. As consultorias também destacam incertezas na arrecadação de R$ 678,8 bilhões estimada para os novos tributos da reforma tributária (CBS e IS), devido à ausência de série histórica. O texto aponta ainda que o programa Bolsa Família poderá demandar entre R$ 23,64 bilhões e R$ 24,93 bilhões adicionais para garantir o reajuste de 15,17% a 16% nos benefícios de cerca de 19,8 milhões de famílias.
O documento questiona a contabilização de despesas como R$ 940 milhões destinados à Anvisa e R$ 713 milhões em precatórios dentro do piso constitucional da saúde, o que poderia deixar os recursos abaixo do mínimo legal caso sejam excluídos. Outro ponto de atenção é a "regra de ouro": R$ 414,1 bilhões em operações de crédito previstas no orçamento — incluindo gastos previdenciários e de pessoal — dependem de autorização por meio de crédito adicional aprovado pelo Congresso Nacional.
