Nas eleições de 4 de outubro de 2026, os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) foram eleitos com mais de três milhões de votos cada e, com esse desempenho, garantiram a eleição de 25 colegas de partido para a Câmara dos Deputados. O voto de Nikolas Ferreira foi suficiente para eleger, além dele próprio, mais 13 deputados do PL em Minas Gerais, enquanto o de Lucas Pavanato assegurou cadeiras para mais sete colegas em São Paulo. A deputada Erika Hilton (PSOL‑SP) também foi reeleita com mais de 1,5 milhão de votos, permitindo a entrada de três candidatos da federação PSOL‑Rede, entre eles Sônia Guajajara.

O mecanismo que possibilita esse “puxão” de votos decorre do sistema proporcional brasileiro, que utiliza o quociente eleitoral para distribuir as vagas entre os partidos. Quando o total de votos de um candidato supera múltiplas vezes o quociente, ele gera vagas adicionais que são preenchidas pelos demais candidatos da legenda que ainda não atingiram o quociente. Assim, candidatos como Marcelo Álvaro Antônio, ex‑ministro do Turismo, e Thiago Milhim, que migrou do Podemos para o PL, foram eleitos graças à votação de Nikolas Ferreira.

Outros deputados que também “puxaram” colegas foram André Fernandes (PL‑CE), Julia Zanatta (PL‑SC), Ana Elisa (PT‑MG) e Jeffrey Chiquini (Novo‑PR), cada um garantindo uma cadeira adicional para seus respectivos partidos. No entanto, Raul Marcelo e Juliano Medeiros, que poderiam ter sido beneficiados, não ultrapassaram a cláusula de desempenho individual e ficaram fora da Câmara.

A matéria destaca que o fenômeno dos “puxadores de voto” é recorrente nas eleições proporcionais e evidencia como candidatos com grande número de votos podem influenciar a composição parlamentar ao ampliar a representação de suas legendas.