Javier Milei, presidente da Argentina, tornou‑se referência nas discussões sobre política econômica durante a disputa presidencial no Brasil. O ultraliberal, que chegou ao poder em 2023 com o chamado “Plano Motosserra”, defende cortes profundos nos gastos públicos, fim de subsídios, desvalorização da moeda e ampla desregulamentação. Desde então, a Argentina reduziu a inflação de 211,4 % em 2023 para 31,5 % em 2025, equilibrou as contas públicas e registrou crescimento do PIB de 4,4 % no último ano, mas também viu o fechamento de mais de 32 mil empresas, aumento do desemprego a 7,9 % e a volta da pobreza a um terço da população.
No Brasil, o debate sobre o modelo de Milei tem sido usado como ponto de confronto entre os candidatos. Flávio Bolsonaro (PL) apresenta o argentino como exemplo de sucesso a ser seguido, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alerta para os custos sociais de medidas tão severas, como o fechamento de empresas e a deterioração do poder de compra das famílias. Essa polarização reflete o dilema central das campanhas: equilibrar a necessidade de ajuste fiscal com a proteção dos mais vulneráveis.
Especialistas citados pelo G1 destacam que, embora os indicadores macroeconômicos argentinos tenham melhorado, o “sacrifício necessário” tem gerado desgaste político e social. O caso de Gustavo Raúl Pérez, dono de uma loja de ferragens em Buenos Aires, ilustra o aperto no bolso dos pequenos empreendedores: de vender dez carrinhos de mão por dia, agora vende apenas um. A situação alimenta o debate no Brasil sobre a viabilidade de adotar políticas semelhantes em um contexto nacional diferente.
A cobertura do G1 indica que o modelo de Milei continuará sendo referência nas próximas semanas, especialmente à medida que o segundo turno da eleição presidencial se aproxima (25 / 10 / 2026). Os candidatos deverão usar o exemplo argentino para reforçar suas propostas de ajuste ou, ao contrário, para criticar possíveis impactos sociais de políticas de corte extremo.
