O Ministério da Justiça solicitou nesta sexta‑feira (9) que a Polícia Federal abra inquérito para apurar ameaças de morte e de estupro feitas pela internet contra a deputada federal Ana Elisa Santos Silva (PT‑MG). Em ofício dirigido ao diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça informou que a parlamentar tem sido alvo de mensagens violentas a cada dois minutos, supostamente por conta de seu engajamento na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A secretaria pediu ainda que as plataformas X e Meta sejam acionadas para moderar o conteúdo e ajudar na identificação dos autores, apontando indícios de uma rede que ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais.
Ana Elisa, eleita com 524.219 votos (4,57 % dos votos válidos em Minas Gerais) na eleição de 4 de outubro, afirmou que vem sofrendo um "ataque coordenado" desde que passou a integrar a mobilização digital da campanha de Lula. Ela relatou receber mensagens com ameaças de estupro, divulgação de endereço, telefone e documentos pessoais, além de contato de supostos integrantes de um grupo supremacista branco. A deputada já havia procurado a Polícia Civil anteriormente, após ameaças recebidas por e‑mail durante a campanha para a Câmara.
A secretária de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, destacou que a violência contra mulheres não pode ser tolerada e que há fortes indícios de uma rede de agressores que visa silenciar a deputada. O governo argumenta que a investigação deve ficar sob competência federal, já que os crimes teriam sido cometidos online e têm caráter misógino. A PF ainda não se pronunciou sobre o pedido.
